No setor de proteção contra incêndios industriais, a sigla UL 162 é frequentemente citada em cadernos de encargos e exigências de seguradoras. No entanto, existe uma confusão comum: muitos acreditam que a certificação se refere apenas à qualidade do Líquido Gerador de Espuma (LGE).

Na realidade, a norma UL 162 (Standard for Foam Equipment and Liquid Concentrates) é muito mais abrangente. Ela é a garantia de que o sistema completo funcionará quando o risco for real.

O que é a Norma UL 162?

A UL 162 é a norma técnica desenvolvida pela Underwriters Laboratories que estabelece os requisitos de segurança para equipamentos de espuma e concentrados líquidos utilizados para extinguir incêndios de Classe B (líquidos inflamáveis).

O diferencial desta norma é que ela não testa componentes isolados de forma estanque. Ela avalia a compatibilidade mecânica e química entre o concentrado e o hardware.

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A Diferença entre a norma NBR Brasileira e a UL162

Este é o ponto onde muitos projetos falham. Um LGE pode ser de alta qualidade, mas se ele for utilizado com um proporcionador ou uma câmara de espuma que não foi testada em conjunto com ele sob a norma UL 162, a chance de fracasso é muito grande.

Os testes de acordo com a UL162:

  1. O LGE possui a performance extintora anunciada;
  2. O equipamento (proporcionadores, esguichos, tanques) entrega a expansão de espuma correta;
  3. A combinação de ambos funciona de forma harmoniosa em condições críticas.

O que é avaliado nos testes da UL 162?

Para que um sistema receba o selo UL 162, ele passa por uma bateria de testes rigorosos que simulam o pior cenário possível:

1. Teste de extinção de incêndio (fire test)

Avalia a rapidez com que a espuma consegue selar a superfície de um líquido inflamável (como heptano ou álcool) e extinguir as chamas. É medida a taxa de aplicação mínima necessária para o sucesso da operação.

2. Resistência à reignição (burnback test)

Não basta apagar o fogo; a espuma deve manter uma manta estável que impeça o combustível de se inflamar novamente, mesmo que uma parte da manta seja removida ou exposta ao calor.

3. Proporcionalidade e expansão

O hardware (proporcionador) deve garantir que a mistura (ex: 1%, 3% ou 6%) seja exata em diferentes faixas de pressão. Além disso, avalia-se a “qualidade da espuma”: se ela tem o peso e a fluidez necessários para cobrir grandes áreas.

4. Envelhecimento e estabilidade

O LGE é submetido a testes de estabilidade térmica para garantir que, após anos armazenado, ele ainda mantenha as mesmas propriedades físico-químicas de quando saiu da fábrica.

Por que a UL 162 é importante para a transição SFFF (Fluorine-Free)?

Com as restrições aos PFAS, o mercado está migrando para espumas Fluorine-Free (como o Phryós®). Como estas novas espumas possuem viscosidades e comportamentos mecânicos diferentes das antigas AFFF, a certificação UL 162 torna-se o único documento que comprova que a nova tecnologia é tão (ou mais) eficiente que a anterior.

Com outros padrões de testes de concentrado de espuma, o risco de falha no sistema de supressão aumenta exponencialmente, o que pode resultar na recusa de cobertura por parte das seguradoras em caso de sinistro.

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Escolher um sistema de espuma que atenda a UL162 é um olhar muito além de apenas testar o concentrado de espuma é garantir que o seu investimento em proteção patrimonial é sólido. Não se trata apenas de um selo num galão de LGE, mas de uma garantia de engenharia que protege vidas e infraestruturas críticas.

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